domingo, 27 de setembro de 2015

Arqueiro.

Entre os bosques ele se esconde,
Espreita por sua caça.
São poucos os que ainda restam,
Dessa sua nobre raça.

Camuflado entre as árvores,
Não teme mal algum.
Mas quem por acaso ousar desafiá-lo,
Enfrentará um guerreiro incomum.

Aliás, nem guerreiro é considerado.
Por cavaleiros é desprezado.
Mas se seu arco vier a empunhar,
O inimigo certamente será eliminado.

Sem honra, pois não serve a ninguém.
Não cultiva moralidade.
Em castelos, sua figura é ultrajada.
Mas o povo o clama na cidade.

“Como pode um homem”, perguntam,
“Aniquilar com uma simples tira de madeira”.
Ah, são poucos os capazes de entender...
... O treinamento de uma vida inteira.

Não é soldado, mas de lutar é capaz;
Não é suserano, mas sabe liderar;
Vive apenas do que a natureza lhe fornece:
Da fauna e da flora seu coração se engrandece.

Para sua vida ficar completa,
Falta alguém para amar.
Assim, cheio de esplendor estaria:
O Arqueiro de além-mar.

Geni.


(Inspirado em trecho do livro “O Maravilhoso e o Quotidiano no Ocidente Medieval”, de Jacques Le Goff.)

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