As docas de Liverpool.
O vai e vem de caixas,
corpos; navios e suas âncoras.
Metais reluzem pela iluminação moderna.
Homens novos no vigor de sua força física carregam pesadas mercadorias.
Os velhos de muita experiência se contorcem ao peso de sua
própria existência.
Não se pensa, se faz.
Não se sente, suporta.
A metáfora da chuva é choro dos céus.
A metáfora do homem é a aliança da máquina:
Aliada do seu sofrimento,
da privação da própria vida.
Do seu fim.
E todos os dias são assim,
nas docas de Liverpool.
O triunfo da desgraça,
a tristeza da alegria.
O começo do fim de uma miserável vida.
O fim do começo de uma vida que não se prolongará.
As cinzas no céu obscurecem os olhos de Deus.
Inglaterra: tudo se cria, tudo se faz.
Até o próprio inferno.
É a vanguarda da corrosão da alma.
É o alvorecer do declínio humano.
O progresso da extinção.
Todos os dias, nas docas de Liverpool.
Geni.
(Inspirado no contexto trabalhista e comercial da Inglaterra no século XIX.)
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